domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bla, bla, bla... Doscopia II



Ô censura da “mulestia”
Em um saco de farinha
Eurico perdeu a gama
do Vasco na Barroquinha
Salvador sentindo dor
Mandei chamar o doutor
Pra ver se a filha era minha

Eu já perdi na porrinha
Agora volto ao mobral
Não dá pra comprar um sitio
Com toda essa capital
O jeito vai ser voltar
Subir na cruz me pregar
Ao lado oposto do mau

E sem querer reclamar
Nem mesmo fazendo conta
Quando entrar dois mil e doze
Toda essa prêula desponta
Anafobias virão
Viva seu Pedro, dirão!
Aqueles de mente tonta!

Esse cavalo não monta
Nem faz trote dividido
Eita menino levado
Fedorento e “malovido”
Não duvido que amanhã
Jaqueira brote maçã
Deixando tudo perdido

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Bla, bla, bla... Doscopia I



Eu vou comprar um machado
Um tamborete de couro
Dois cabritos e um besouro
Mesmo que esteja cansado
Arruda serve um bocado
Para alimento de rede
Bota a cara na parede
Quando o bilhete termina
Essa coisa contamina
Eu to ficando com sede

Segundo a sombra caseira
Aquela que esfria a sala
Tendo um milhão, tudo cala
Depois de uma brejeira
Amanhã eu vou na feira
Comprar dois quilos de nada
Pra fazer de madrugada
Um pacote de ninguém
Reze o credo e diga amém
E assim seja louvada!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quadracospia teimosa



É no vento, e na serra, é do contra, é a vida
É aquela parada, e aquela despedida
É a sina da arte, ser sempre esquecida
É a vida na serra, vento em contra mão
É o doido Tadeu fazendo um sermão
Com essa mania de ser deputado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão!

É o fogo aceso, é a brasa que arde
Teimando com o vento, fazendo alarde
É o sol a se pôr, todo fim de tarde
E a Lua faceira querendo um refrão
É a noite dormindo, sonhando com João
Que era Figueiredo e hoje é coitado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

É a chuva pesada, que inunda e desmancha
As ondas sonoras que batem na lancha
É a nódoa que marca numa eterna mancha
Que fica pregada em toda a geração
É a queda do copo perto do fogão
Quando o leite derrama, faltou mais cuidado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

É a morte certeira depois duma dança
É o taco de pão, espalhando esperança
E a fome fugindo buscando aliança
É a luta do povo, desse meu sertão
Barrabáz não nasceu. Ele é produção
Do homem que vive pensando em trocado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

domingo, 31 de janeiro de 2010

Quadracospia Ùnica



Foi assim, quase como, talvez ocorresse
Na Paulicemia em todo esse interesse
Pagando em dia e se um dia eu devesse
Seria eu mesmo aquele patrão
Liguei a bobina, entrei num caminhão
Mas quando eu olhei vi seu João acordado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

È um sinal, uma luz, é a distancia de um ponto
È um ponto sem luz, logo após o desconto
É um boêmio, é perdido, fazendo outro conto
Melado de graxa em pleno verão
E quebrado, sem graça, um louco, doidão
Correu para feira comprando fiado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

È festejo de festa, é São Judas Tadeu
É o mesmo infeliz, que a Cristo vendeu
É o feijão que azedo, valei-me! Fedeu!
Desligue correndo e apague o fogão
Pois sopa só presta molhada no pão
Não traga pra mim seu café requentado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

É o prelúdio dos soros e a sede das grotas
É estúdio que estudo os caminhos da botas
Que afina a passada, e sustente suas notas
Chamando Pilatos irmão de Platão
Lá vem Barrabás chupando limão
Com uma caipirinha agarrada do lado
É quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado
É quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão

Galopeoscopia IV



Distante da serra, depois do planalto
Cansou da viagem e sonhou o retorno
Já tava sentindo o enfeite de corno
Por menos que isso fugiu do assalto
Pegou uma estrada de barro e asfalto
Comprou uma prenda para Iemanjá
No Calidoscópio tornou a falar
Pra uma platéia de surdos do Iraque
Um negro beiçudo tocava atabaque
Marcando o compasso a caminho do Mar

Naquela manhã toda lua era cheia
E um jegue dormia encostado no muro
O pajé foi no Google pra ver o futuro
No site de quengas casou a sereia
O padre sozinho, de olho na areia
Pediu ao caolho pra ele ficar
Descendo a serra viu o ceará
Danou-se a correr, foi bater no Capão
Voltava o mundo pela contramão
Contando as histórias de longe do Mar

Galopeoscopia III



No tempo que o mundo era na Palestina
As pujanças do tempo perdiam as horas
Descendo o riacho em cima das toras
Um cabra sorria pra outra menina
Buscando na bússola o erro da sina
Contudo sem pressa, tava pra chegar
E o mundo mudou-se foi pro ceará
E o Padre falou que com ele explorava
Tirou uma foto que não revelava
Que tava a mil léguas da beira do Mar

Comprou um jumento, o mundo enxerido
E danou-se na estrada, desceu pra natal
Comprou uma estrovenga no canavial
Trocou pela bússola, pois tava perdido
Ouviu na esquina um grande estampido
Era o padre bufando por não coletar
Jurou de pés juntos em não mais votar
O mundo perdido de gente safada
Largou a batina, foi pra Timbalada
Tocando a mil léguas da beira do Mar

Galopeoscopia II



Na Prilugumia eu plantei a saudade
Num dia de chuva tava em “Bangladeste”
Um vento errado me trouxe do Leste
Mas eu não reclamo se é pura verdade
O Nordeste é tão grande, mas falta a cidade
Parece um mundão de gente a remar
Subindo a ladeira, você bate lá
Mas preste atenção pra não levar multa
Comece o regime para a Catapulta
E tome arremesso pra longe do Mar!

Prepare a palavra daquele discurso
Acenda a fogueira, pois é São João
São Brás não morreu, voltou pro Sertão
Foi de mala e cuia criando outro urso
Montou um museu, e esqueceu o percurso
Naquela agonia querendo voltar
Comprou dois jumentos e um caçuá
Pra fazer malabares na palhaçaria
São Pedro acordou com toda a gritaria
E mudou-se também pra longe do Mar!